Fiel Entrevista: Mano Menezes
Em qual treinador de futebol você se espelha e é sua referência?
Muitos treinadores me influenciaram e ainda influenciam, mas uma referência importante para mim foi o Enio Andrade (técnico tricampeão brasileiro com o Internacional em 1979, 1981 com o Grêmio e 1985 com o Coritiba), sem dúvida.
Por que sua carreira de jogador foi curta?
Chegou uma hora em que vi que minhas qualidades não poderiam me dar muito mais na carreira. Eu já era casado, tinha minha filha e chegou uma hora em que tive que escolher entre o futebol e a estabilidade para a minha família.
Qual o melhor jogador que você já comandou? E o que viu atuar?
O melhor jogador que vi atuar foi o Falcão. Um jogador inteligente, marcava e armava com muita qualidade. E o melhor jogador que comandei, sem dúvida, foi o Ronaldo.
O que acha da adequação do calendário brasileiro ao europeu?
Tem que se ter cuidado quando se fala nesse tema. É necessário se adequar o calendário da Conmebol, já que as competições sul-americanas não são disputadas simultaneamente como acontece na Europa.
Você estaria de acordo se existisse uma lei para que o jogador só pudesse sair no final da temporada?
Penso a mesma coisa da resposta anterior. Acho que as idéias têm de ser discutidas com calma, analisando todos os fatores, porque nenhuma atitude dessas pode ser tomada de forma isolada.
Você gostaria e aceitaria treinar algum clube de fora do Brasil?
Não é uma coisa pela qual eu me dedique. Sou muito realizado trabalhando no Brasil e não penso nessas hipóteses agora.
Qual o diferencial que pessoas que atingiram o sucesso têm em relação aos muitos profissionais do futebol (jogadores e treinadores) que não conseguiram chegar lá?
Não existe uma diferença única. Cada caso tem sua particularidade, sua história. Muitos fatores podem pesar para que um profissional tenha mais ou menos sucesso, no futebol ou em qualquer outro mercado.
Você almeja dirigir a seleção brasileira ou algum clube europeu? E se considera preparado para assumir a seleção?
Eu sempre digo que não acordo ou durmo pensando em Seleção Brasileira. Claro que todo treinador de um grande clube brasileiro sabe que pode existir a chance, mas no momento a Seleção tem um técnico e temos que ter respeito por ele.
O que achou mais difícil de restaurar no Corinthians quando assumiu o cargo de técnico e o que o motivou a vir para o clube?
Quando entrei no vestiário vi os jogadores eram cabisbaixos, sem confiança. Acho que o mais importante que conseguimos restaurar nesse pouco mais de um ano e meio no Corinthians, foi o respeito e o orgulho de todos, jogadores, profissionais e torcedores.
Você encara o Corinthians como o desafio da sua vida? Se sim, o que falta para que este desafio seja totalmente vencido?
Todos os trabalhos são um grande desafio e o Corinthians também é. Acho boa parte dos desafios foram conquistados com os três títulos, mais ainda falta mais uma parte importante.
O ano de 2009 ainda não acabou, e só se fala na Libertadores-2010 dentro do Corinthians. Como blindar o time de toda essa pressão pela conquista do sonho Corinthiano?
Internamente, nos trabalhos para terminarmos bem 2009. Não podemos cuidar do que é dito pelos torcedores, mas dentro do vestiário, no nosso dia-a-dia, a preocupação é o Campeonato Brasileiro, que é o torneio mais importante do Brasil.
Qual o tamanho da responsabilidade do Corinthians na Libertadores de 2010? O título é obrigação?
É difícil falar em obrigação, mas acho que precisamos fazer um campeonato como foram todos os que jogamos desde julho de 2008. Com chances reais de brigar, honrando a torcida e a grandeza do Corinthians.
O que é mais difícil, montar um time competitivo ou manter um elenco em alto nível por muito tempo?
Os dois muito complicados. Montar um time exige avaliação, boa preparação, planejamento, muitas coisas. E manter um time vencedor é também muito complicado. Requer atenção, cobrança, trabalho...
Se pudesse escolher qualquer jogador do mundo para vir para o Corinthians na fase atual, quem você escolheria?
Não gosto muito de expor esse tipo de situação. Acho que temos que tratar certas questões de forma interna. E não podemos deixar nunca de respeitar e admirar os atletas que estão conosco fazendo um grande trabalho.
Como é feita a escolha do esquema tático? Você prefere atuar no 4-4-2 ou com três atacantes?
Existem muitas formas de ganhar e perder no futebol. Não existe um esquema que seja perfeito ou invencível. O que tenho que respeitar é montar um time que leve em consideração as características do elenco que tenho. Isso é o mais importante.
Em qual posição o elenco atual é mais deficiente?
Essa é mais uma das questões que procuro trabalhar de forma interna, sempre com muito respeito aos jogadores que aqui estão.
Quais as diferenças entre comandar o Corinthians e o Grêmio? Aqui a pressão é maior? E qual rivalidade é maior, no Sul ou aqui em São Paulo?
É muito complicado comparar rivalidade. Eu tento respeitar todas, mas a principal diferença entre os clubes de São Paulo e do Rio Grande do Sul é que aqui se tem mais clubes. E lá a rivalidade fica apenas entre dois times.
Ao longo do seu trabalho realizado no Corinthians, qual foi a vitória que mais lhe emocionou e a derrota que mais doeu?
A derrota mais dolorida foi, sem dúvida, a final da Copa do Brasil 2008. E a vitória mais importante para mim ainda foi sobre o Goiás, na mesma competição.
O que a Fiel torcida representa para você? Já se considera mais um “louco” no bando?
A torcida tem sido parte muito importante nesse tempo que estou no Corinthians. Ela nos apoiou demais, sempre esteve ao nosso lado e nos ajudou a conquistar os três títulos em um ano e meio.
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