quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fiel Entrevista - Marcelinho Carioca

Em qual ídolo se inspirou ao começar a carreira?
No Zico... Comecei no Madureira Esporte Clube, no Rio de Janeiro, e o Zico era a grande referência nossa.

Teve o apoio de sua família quando decidiu ser jogador de futebol?
Sempre! Principalmente do meu pai, Adilson. Fui descobrir em 2003 que ele não conseguiu se tornar jogador de futebol profissional. Quer dizer, ele chegou até o Fluminense, América. Tinha muito talento... Mas o pai dele, como marinheiro, tinha aquele regime de ditadura e impediu meu pai de jogar. Foi em 2003 que eu descobri, em uma conversa lá na Arábia. Ele chorando e dizendo que tinha pedido a Deus para que um dos filhos dele fosse jogador. Eu sou o caçula, tenho mais dois irmãos, o Marcos e o Márcio, um de 45 e o outro de 40 anos, e consegui honrar meu pai.

Onde você aprendeu a bater tão bem na bola?
Ah, eu nasci com esse dom! Descobri isso no Madureira, aprimorei no Flamengo e tive toda a sequência brilhante aqui no Corinthians. Mas foi muito treinamento, muita dedicação, observando Nelinho, Dicá, Zenon, Zico, sabe... Rogério Ceni, Neto... Todos os grandes cobradores eu sempre olhei.

O que sentiu na primeira vez que entrou em campo pelo Corinthians, na primeira vez que a Fiel gritou seu nome?
Vi uma nação louca, apaixonante, doida... Eu realmente vim para fazer história, fazer parte e conseguimos fazer isso! Sendo agora coroado como embaixador do clube, isso no centenário... Tudo foi o que nós plantamos em 1993. Cheguei um pouco preocupado a São Paulo, cidade de pedra, mas com muita vontade de vencer e superar. E, com a ajuda de todos, conseguimos.

Você teve o privilégio de fazer muitos gols pelo Corinthians, é o quinto maior artilheiro da história do clube. Mas qual a sensação de fazer um gol em cima do Corinthians?
Contra o Corinthians, pelo Flamengo, fiz vários gols. E, por incrível que pareça, meu primeiro gol de falta foi na Taça Libertadores da América em cima do Ronaldo lá em Cuiabá, em 1991. Foi até muito engraçado relembrar isso e brincar com ele e depois continuei fazendo os gols a favor do Corinthians, então é sempre muito gostoso lembrar.

Mas, depois de sua passagem por aqui, você marcou também pelo Santo André...
Primeiro, você fica meio sem jeito, sem ação se vai comemorar ou não...
É lógico que você tem que ser ético e profissional, fazer o melhor por seu clube e seus companheiros. Mas é a alegria de ver que você tem um talento e esse talento é colocado à prova a todo momento e você corresponde. Então fico feliz demais.

Qual o gol mais bonito que você fez em sua carreira?
Tenho dois gols aqui memoráveis e marcantes. Aquele em cima do Palmeiras em 1995, no Pacaembu, de falta. Eu fui e quebrei a bandeirinha e tudo... E o gol da Vila Belmiro [sobre o Santos em 1996].

E o mais importante?
O mais importante... Título da Copa do Brasil em 1995, Campeonato Paulista de 1995, o da Copa Bandeirantes de 1994... O primeiro título internacional contra o Bétis, os dois gols lá na Espanha... Em 1998, os três gols nas finais do Brasileiro. Em 1999, os gols da conquista do Campeonato Paulista. Em 2001, os gols contra o Botafogo de Ribeirão Preto nas finais... Então, esses gols são super importantes. Gols de finais são sempre marcantes.

Qual momento mais marcante que você viveu com a camisa do Timão?
A conquista do Mundial da FIFA, no Maracanã.

E o mais frustrante?
Ah, Libertadores, né.. Em 1999 e 2000...

O que você espera do Corinthians na Libertadores de 2010?
Um time forte, competitivo, inteligente... Grupo solidário, torcida compreensiva apoiando e a conquista!

O que achou das contratações? O que prevê para o ano do centenário?
Achei inteligente, porque é uma coisa estudada pelo Mano, uma coisa feita para cada posição. Ele formou um grupo sólido, homogêneo. Muito bom.

Qual jogador do atual elenco mais se assemelha a você quando estava no auge?
Ah, falar de mim é complicado [risos]. Eu não gosto de falar de mim, deixo para vocês analisarem... Mas o Corinthians está muito bem servido, principalmente no meio de campo.

Na sua opinião, a Fiel torcida inibe os jogadores do time adversário? E qual o efeito dela no jogador corinthiano?
O adversário sim, com certeza! Inibe o adversário, mas de repente pode até inibir o jogador do próprio Corinthians que não estiver bem preparado emocionalmente.

Lembra de algum jogo que a torcida ajudou vocês a reverterem um placar negativo?
Lógico! Contra o América do México na Libertadores, contra a Portuguesa, contra o próprio Palmeiras. Vários jogos eu já vi a torcida virar na raça, na disposição e no incentivo.

Qual o clássico que você mais gostava de jogar? Corinthians x Palmeiras.Qual o melhor jogador com quem você atuou?
Pelo Corinthians, eu peguei o Edílson, Vampeta... Esses dois foram diferenciados.

Defina o Corinthians em uma palavra.
Amor.

Você acha que em algum outro clube receberia tanto reconhecimento e amor como no Corinthians?
Acho que não... Acho que eu nasci para o Corinthians e o Corinthians nasceu para mim...

Entre tantos ídolos, o que achou do Corinthians te chamar para ser o “senhor centenário”?
Acho que contra fatos não há argumentos. Nossa identificação com o torcedor corinthiano, os resultados que estão acontecendo no marketing, as vendas das camisas e dos produtos, o sucesso das lojas Poderoso Timão, sabe... Então, eu me sinto honrado e feliz. E essa é a escolha do torcedor. Ele é paixão, tudo, mas foi dentro da razão, lógico. O Corinthians poderia ser muito bem representado por vários outros ídolos que também fizeram história, mas acho que contra fatos não há argumentos. São 10 títulos, 206 gols, o quinto maior artilheiro da história do clube... Essa identificação, essa paixão... Tudo isso é verdadeiro.

Qual sua expectativa para o amistoso de despedida, diante do Huracán?
É festa, né... É mais gratidão e reconhecimento, contato com o torcedor. É lógico que, apesar de ser um amistoso, a gente quer ganhar. E ser um ajudador, um companheiro do Mano.

O que você pode falar daquele 14 de janeiro de 2000? Quais lembranças te vêm à mente da partida contra o Vasco?
A invasão! A invasão que teve em 1976 foi a mesma que teve em 2000. A gente exausto, preocupado, não tinha mais fôlego, não tinha mais perna... E quando nós vimos a nação corinthiana, retomamos das cinzas e tiramos fôlego da onde a gente não tinha. O negócio foi surpreendente, motivante, apaixonante... Foi um negócio fora do normal! A gente ouviu os comentários dos ônibus pegando a Dutra, chegando no Rio, invadindo a praia... A invasão corinthiana foi o ponto crucial para a gente resgatar.

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